domingo, 8 de maio de 2011

Heron de Lima Domingues - Heron Domingues

Nasceu em São Gabriel, Rio de Janeiro em 04 de junho de 1924.

Aos 16 anos tentou a carreira de cantor e foi participar em um concurso de calouros na Rádio Gaúcha, em Porto Alegre a 7 dezembro de 1941, dia escolhido pelos japoneses para bombardear Pearl HarbourHavaí nos Estados Unidos. Na ausência do locutor da rádio, Domingues foi lançado às pressas aos microfones e deu a notícia em primeira mão. Não participou do concurso, mas saiu da rádio empregado. Em 1944, mudou-se para o Rio de Janeiro e passou a trabalhar na Rádio Nacional, onde, no programa Repórter Esso, transmitia a informação "como se estivesse numa trincheira", costumava dizer.
Acampado no estúdio da carioca Rádio Nacional, Heron Domingues, o Repórter Esso , aguardava sôfrego pelo telegrama que confirmaria o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Deveria fazer jus ao apelido a ele atribuído, "o primeiro a dar as últimas". Após passar NatalAno-Novo e Páscoa em alerta, os colegas insistiam para que ele fosse descansar em casa. Aceitou o conselho a contragosto e, para sua decepção, foi em casa que o radialista soube do fim do armistício, pela emissora concorrente. Para consolo, sua credibilidade ressoou: "Se o Repórter Esso ainda não deu, não deve ser verdade", comentava-se pelo País. Só depois que empostou sua inconfundível voz ao microfone é que a notícia ganhou veracidade.
Na televisão, trabalhou na extinta TV Rio, onde apresentou o Telejornal Pirelli, ao lado de Léo Batista e na Rede Globo, onde apresentou o Jornal da Noite e o Jornal Internacional na Globo de 1971 até 1974.
Em tom alarmista, o radialista foi o primeiro a noticiar vários fatos históricos nos 33 anos de carreira: o lançamento da bomba atômica sobre Hiroshima - (1945): o suicídio de Getúlio Vargas - (1954), a morte da cantora Carmen Miranda - 1955; a renúncia do presidente da República Jânio Quadros - (1961), a chegada do Homem à Lua - (1969).
Acreditava que a voz era dádiva de Deus e não se preocupava em preservá-la. Boêmio, bebia e fumava em excesso. Depois do expediente, era comum lotar a casa de amigos para notívagos bate-papos. Quando as visitas partiam, virava-se para a esposa, a jornalista Jacyra Domingues, e dizia: "Já faz muito tempo que estou em casa, vamos sair para dançar".
Foi o primeiro apresentador de televisão, quando ingressou na TV Tupi do Rio de Janeiro, em 1961. Desde 1972, estava na TV Globo, (Rede Globo), do Rio de Janeiro.
Eufórico para anunciar com exclusividade o impeachment do ex-presidente norte-americano Richard Nixon, no extinto Jornal Internacional, da TV Globo, sem imaginar que seria seu último noticiário. Poucas horas depois foi jantar com os amigos, tendo tido um infarto fulminante já em casa. Os amigos acreditam que Domingues foi vencido pela emoção.
"Trabalhei no Repórter Esso de 1944 a 1962, sem um dia de folga. Levantava-me ás 6:45 hs. e voltava para casa à 1:30 da madrugada. Nos períodos críticos, dormia na rádio, que tinha uma cama na redação. Para se ter uma idéia da época conturbada em que vivíamos, no período em que fui locutor do Esso, houve no Brasil dez presidentes da república. Durante a guerra, dormia na Rádio Nacional com um fone no ouvido, diretamente ligado a UPI. Sempre que havia uma notícia importante, eles me despertavam, eu mesmo colocava a emissora no ar e transmitia a notícia. Para o fim da guerra, preparamos uma audição especial do Repórter Esso, em que a notícia seria dada fundida com o repicar de sinos. Com medo de me emocionar muito diante do microfone, gravei o início da transmissão: "Atenção! Atenção! Acabou a guerra" (Heron Domingues).

Uma equipe médica estudou a voz de Domingues por dez anos e nenhuma alteração foi observada, um fenômeno. "Bebo e fumo em excesso", disse ele. "Pois continue bebendo e fumando", aconselharam os médicos.
Heron Domingues faleceu em 9 de agosto de 1974, no Rio de Janeiro, após um dia de trabalho. Teve um ataque cardíaco. Ele era casado com a também jornalista Jacyra Domingues.

Fontes: Heron Domingues PUC RS. (Setembro, 2003); BIOGRAFIA DE HERON DOMINGUES PARA O MUSEU DA TELEVISÃO BRASILEIRA Pró-TV; Heron Dominguez  Meu Pensar. (Julho, 2010).

sábado, 23 de abril de 2011

Sérgio de Souza Leite "Serginho Leite"

Músico, radialista, humorista, foi um dos grandes nome do Show de Rádio, idealizado por Estevan Sangirardi na Jovem Pan, onde fazia imitações de Pelé, Maguila e tantos outros, ao lado de Odair Batipsta com a Rádio Camanducaia, Nelson Tatá Alexandre e Weber Laganá Pinfari.


O paulistano Serginho Leite conquistou um espaço que poucos apresentadores conseguem no Brasil: um programa onde o repertório não é escolhido pelas gravadoras de capital estrangeiro, e outros que comandam o rádio por aqui, para poder fazer rádio do jeito que gosta: futebol misturado com boa música e entrevistas.

Serginho era casado com Tânia Leite e o casal tinha dois filhos: Pedro e João.

Sergio Souza Leite morreu aos 55 anos de idade, vítima de infarto. Passou mal ontem e foi levado ao hospital das Clínicas de São Paulo. Pedro, seu filho, contou ao repórter Rogério Gama, da Rádio Capital, que ele começou a sentir fortes dores no peito, foi ficando com o corpo frio e faleceu.

Os principais parceiros de Serginho, até este último instante de sua vida foram Weber Laganá Pinfari, Luiz Romagnoli e Alaor Coutinho.

Fonte: Matéria retirado na integra do Blog José Nello Marques (http://zenello.wordpress.com)

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Paulo Machado de Carvalho

Nasceu em São Paulo em 9 de novembro de 1901 foi um dos maiores gênios na Comunicação e no Esporte.


Paulo Machado cursou Direito na Falcudade do Largo São Francisco indo então para Suiça onde aprimorou seus estudos e ampliou os seus sonhos.

Em 1931, Paulo Machado fechava sua empresa de Luminosos, foi quando ele conhece o seu Álvaro Liberato de Macedo que tinha uma loja de disco na Praça da República nº 17 e junto com a Loja ele tinha a Rádio Record embora não funcionasse, oferecendo assim ao Dr. Paulo que embora desconhecia totalmente o que era uma rádio.

Foi quando um grupo formado por Dr. Paulo, Sr. João Amaral e o Sr. Jorge Alves de Lima foram visitar e ver o que era aquele negócio chamado de rádio que emitia uns sons um negócio muito de difícil de se ouvir naquela época.
Sendo que naquela época já existia em São Paulo em funcionamento a rádio Educadora Paulista (hoje atualmente a rádio Globo). Chegando na Rádio eles se deparam com uma sala cheia de cadeiras uns microfones enornes da época e junto tinha uma porção de fios amarrados e pendurados e um piano,  neste terreno estava a rádio Record.

Que após o trio analisar e pensar adquiriram (Não precissamente) mas por uma importância de 15 mil cruzeiros, entrando o Dr., Paulo com 5 mil cruzeiros, o Sr. João com 5 mil crizeiros e o Sr. Jorge com 5mil cruzeiros.

Assim ínicia a carreira de um dos maiores empresários da Comunicação no Brasil, segue algumas fotos da rádio Record:



Radio Record na Praça da República,17 (destas sacadas César Ladeira narrou em 23 de maio de 1932 o fuzilamento dos estudantes Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo - MMDC.


Sede rádio Record na rua Quintino Bocaiúva com a Direita (Hoje abriga uma Editora Irmão Vitale).
Nos primeiros anos de trabalho, Paulo Machado de Carvalho fez de tudo no rádio: selecionou músicas, arquivou discos, dirigiu programas. Durante a época em que estava na Record, participou da produção do primeiro jornal falado da rádio, comandado por Assis Chateaubriand. Em 1944 adquiriu a Rádio Panamericana, que passou a integrar o Grupo das Emissoras Unidas e em 1965 mudaria seu nome para Jovem Pan.
No dia 27 de setembro de 1953 Paulo inaugurou a TV Record, realizando um outro sonho que alimentava desde a chegada da televisão ao Brasil três anos antes, em 1950. A emissora entrou no ar com o que tinha de mais moderno à época, com todos os equipamentos importados dos Estados Unidos e entregues no Porto de Santos. Antes da Record havia mais duas emissoras de TV em São Paulo, a TV Tupi (extinta atualmente hoje SBT) e a TV Paulista (extinta hoje atualmente Rede Globo).

Como empresário, destacou-se na área de mídia formando um grupo de empresas do setor que incluía TV Record, Rádio Record, Rádio Excelsior, Rádio São Paulo, Rádio Panamericana (Jovem Pan) AM e Rádio Panamericana (Jovem Pan) FM. Algumas dessas emissoras foram vendidas posteriormente, como a Rádio Excelsior, que atualmente pertence às Organizações Globo, utilizando a denominação Central Brasileira de Notícias (CBN).

Em 1989 sua família se viu obrigada a vender a TV e Rádio Record para o empresário Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus. Na época a emissora também pertencia a Silvio Santos, pois ele havia comprado cerca de metade dela em 1972, tornando-a mais tarde uma espécie de afiliada da TVS (atual SBT) em São Paulo. Com a compra, a emissora foi reerguida e tornou-se uma rede nacional de televisão. Edir Macedo é dono da emissora até hoje.

Atualmente, apenas as rádios Jovem Pan AM e FM pertencem à família Machado de Carvalho e são dirigidas por seu filho Sr. Antônio Augusto Amaral de Carvalho, conhecido como Tuta.

Na área esportiva, Paulo Machado foi vice-presidente do São Paulo da Floresta em 1934.Com a falência do time no ano seguinte, seguiu como dirigente no São Paulo, sucessor do São Paulo da Floresta, onde viria a ser presidente, entre 1946 e 1947, e vice-presidente, entre 1955 e 1956. A partir do ano seguinte, assumiu o departamento de futebol, cargo que já tinha ocupado entre 1942 e 1947, e chegou a pagar torcedores para vaiar o time quando jogava mal no primeiro tempo e, no intervalo, mostrava a reação da torcida aos jogadores em busca de "reações heroicas".

Ao lado de João Havelange, então presidente da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), foi dirigente do futebol brasileiro, tendo sido chefe das delegações campeãs mundiais de 1958 (Suécia) e 1962 (Chile), o que lhe valeu o apelido de "Marechal da Vitória" (citado por Joelmir Beting). Na ocasião da primeira conquista, foi convidado por Havelange e preparou o plano para a Copa desde meados de 1957."Olha, doutor Paulo", pediu Havelange. "Preciso de uma seleção que faça o povo esquecer a de 1950, uma seleção vitoriosa, um time campeão. E porque eu preciso de tudo isso é que o quero como seu chefe. Arme tudo como quiser. Com carta branca."O plano foi elaborado com a colaboração de jornalistas com experiência no futebol e foi transformado em um livro chamado O Plano Paulo Machado de Carvalho. Nos últimos preparativos, já na Suécia, era vítima constante das brincadeiras de Mané Garrincha, que aparecia com o dedo imitando um revólver e dizia "Doutor Paulo, teje preso", para, algum tempo depois, voltar e dizer "Teje solto". Quando o Brasil teve de jogar a final com seu segundo uniforme, azul, Carvalho, para tranqüilizar os jogadores, teria dito que o uniforme lhes daria sorte, pois era da cor do manto de Nossa Senhora Aparecida (Pelé, no entanto, disse em entrevista a’O Estado de S. Paulo em 2008 não se lembrar deste fato). Carvalho já tinha fama de supersticioso naquela Copa, por causa do terno Voltando ao Brasil para desfilar em carro aberto com os jogadores, não se cansou de mostrar a taça ao povo. Na viagem ao Chile, para aquela que seria a segunda conquista do Brasil, Paulo mostrou toda sua superstição ao usar o mesmo terno marrom que usava todos os dias "para dar sorte" na Copa anterior, que tinha virado motivo de piada entre os jogadores.



Em razão das boas campanhas futebolísticas e da brilhante carreira empresarial, recebeu homenagem da prefeitura de São Paulo: o Estádio do Pacaembu leva o seu nome desde 1961, como homenagem prestada pelo então prefeito Prestes Maia. Em 1970 foi eleito para seu último cargo esportivo, vice-presidente da Federação Paulista de Futebol.


Faleceu em São Paulo no dia 7 de março de 1992, deixando uma legado de histórias e conquistas.


Annibal entrevista o querido Paulo Machado de Carvalho, no Pacaembu. O primeiro à direita é Moacir Bombig


Benedito Ruy Barbosa e Leônidas da Silva, em 1960. Ao fundo, Paulo Machado de Carvalho.
Comemoração da Copa do Mundo de 58 na Suécia. Da esquerda para a direita: Rei Gustav Adolf, abraçado por Mário Trigo, o Dr. Paulo Machado de Carvalho e Luís Vinhais. A foto-relíquia é do livro “O Eterno Futebol”, autobiografia do saudoso Mário Trigo, dentista da seleção nas vitoriosas campanhas da Suécia, Chile e México.
Dr. Paulo Machado de Carvalho ostentando a faixa de campeão do mundo de 1958, ladeado pelo então ministro Geraldo Starling. A foto-relíquia é do livro “O Eterno Futebol”, autobiografia do saudoso Mário Trigo
No estádio do Morumbi na década de 1960 vemos da esquerda para a direita o professor Júlio Mazzei, Paulo Machado de Carvalho, Henri Aidar e homem não identificado
Na foto da esquerda para a direita: o preparador físico Paulo Amaral, o médico Hilton Gosling, o técnico do selecionado brasileiro, Aymoré Moreira, o supervisor técnico, Carlos Nascimento e o Marechal da Vitória, Paulo Machado de Carvalho, chefe da delegação Tupiniquim que conquistou o bi-campeonato mundial em 1962. Todos estão perfilados para a imagem clicada pelo atento fotógrafo antes do confronto decisivo contra a Espanha.
Crédito foto: iG/Gazeta Press
Paulo Machado de Carvalho ao lado de Pelé e Zagallo em 1958, ano de ouro da seleção brasileira de futebol
Paulo Machado de Carvalho, Abílio de Almeida e Flávio Iazetti, em 1964, na Itália, no túmulo do soldado desconhecido.
Paulo Machado de Carvalho (Pai) e Paulo de Machado de Carvalho Filho na rádio Record na Quintino Bocaiúva.








domingo, 30 de janeiro de 2011

Cásper Libero


Nascido em Bragança Paulista em 2 de março de 1889, Casper Libero foi um dos maiores e brilhantes jornalistas brasileiros.


Iniciou sua carreira na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, somente dois anos mais tarde fundava o Jornal a Última Hora na cidade do Rio de Janeiro.

Aos 23 anos criava sua primeira agência de notícias do estado de São Paulo a Agência Americana.

Em 1918, aos seus 29 anos tornou-se diretor e proprietário do Vespertino A GAZETA, modernizando-o e transformando-o num dos maiores órgãos de imprensa da época.

Para esse fim, importou rotativas da Alemanha, substituiu o telegrafo e teletipo e implantou novas técnicas de gravura, composição e impressão gráfica - a primeira em cores, no Brasil. Paralelamente, implantou, uma nova dinâmica no transporte e distribuição do jornal, 
possibilitando que os exemplares chegassem às mãos dos leitores em tempo recorde.

Em 1939, inaugurou o Palácio da Imprensa, como viria a ser chamada a sede própria do jornal A Gazeta na antiga rua da Conceição, atual avenida Cásper Líbero. Foi o primeiro edifício erguido no país com as características apropriadas para redação, gravura, composição, impressão e distribuição de um jornal.


Criou um suplemento especialmente dedicado aos esportes, voltado para a cobertura futebolística, chamado de A GAZETA ESPORTIVA, que viria a ser considerado o mais completo jornal de esportes da América Latina, batendo recordes de tiragem durante a realização da Copa do Mundo de Futebol de 1970, sendo também o idealizador da Corrida de São Silvestre.


 Na década de 40, adquire a Rádio Educadora - que passou a se chamar Rádio Gazeta, tornando-se uma das mais respeitáveis emissoras da época, chegando a ser chamada de "Emissora de Elite", por sua programação diferenciada.

Faleceu em 27 de agosto de 1943, num acidente aéreo no Rio de Janeiro. 

Conforme sua vontade, expressa em testamento, é constituída a Fundação Cásper Líbero - um complexo de comunicações que reúne, hoje, a TV Gazeta, Rádio Gazeta AM/FM, os jornais A Gazeta e A Gazeta Esportiva, hoje gazetaesportiva.net, a FCLNet, além da Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero e o Grupo Cidadania Empresarial.


Algumas fotos da Construção e Planta do atual edifício da Fundação Cásper Libero.

"Um prédio que será quase uma cidade". No projeto original, o edifício teria diversas quadras de esporte, um ginásio, piscinas e até mesmo uma capela.

 Maquete da época o prédio deveria ter o dobro de tamanho que tem hoje

As fundações da obra

Nessa imagem, datada de 1959, é possível notar a gritante diferença na paisagem da Avenida Paulista, hoje considerada o coração de São Paulo.

Na década de setenta, ainda sem a antena. Daí em diante, a fachada do edifício se manteve inalterada até os dias de hoje.

Fontes: Acervo Fundação Cásper Libero, Gazeta Press e Wikipédia.